Minha genteee, eis a última novidade em matéria de sandalenhas, diretamente da galera da Vizzati! Fiz o test drive e adorei – mais confortável que a da coleção de verão, em cores metalizadas como lilás-pérola (a da foto), pérola, bronze, preto, grafite e roxo. As cafuçuas do meu trampo também adoraram, e cada dia usamos com um style diferente. Fica ótemo com meia calça, e com looks sociais pra fazer a fina. E é altamente customizável, porque dá pra passar fita nos buraquinhos do lado e colar um botãozão tipo anos 60 quando enjoar dos brilhinhos. Hey, e rariú que é rariú sabe que glitter é muito mais glamour que strass e que cristais… swarovski? swarowski? skarpowski? leishmaniose? Olhe, rariú que é rariú é muito da experta e não usa nada com nomes impronunciáveis. E viva a purpurina!
Mesmo que você não seja muito chegado ao ritmo, certamente alguma vez já se pegou cantarolando alguma música brega. Elas são grudantes. No ônibus, no carro, nos vendedores de cd pirata, nas rádios locais. O brega invade, penetra, se joga em você
como um amante caliente e permanece até que você o retire. Mas pra quê retirar? Clássicos como Bartô Galeno e sua Colcha de retalhos, são para curtir de verdade num momento de paixão. Seja numa bebedeira ou numa festa trash, o brega pode se encaixar em qualquer ambiente. Pobre daquele que apenas critica sem conhecer. Pobres daqueles que não provam da maçã por preconceito.
O ritmo marginalizado por ser presente na vida das pessoas mais simples, tem tomado conta de uma grande fatia de outros guetos, como uma bandeira libertária, um grito de socorro à cultura popular. A simplicidade na linguagem, na exposição de sentimentos, nos apelos de socorro ao coração mal-amado, marcam a franqueza de caráter dos apaixonados pelo brega. Não é à toa que nas classes mais populares a coisa bomba; os problemas, os sonhos, os sentimentos e preocupações dessas pessoas são outros, muito mais humanos e urgentes do que ‘os lançamentos da lancôme’ ou a nova ‘coleção de calçados arezzo’.
E dentre tantos motivos para o brega ser ainda mais amado e popular, bate nos corações congelados a loucura da paixão, as juras de amor, as danças loucas e sentimentos jogados ferozmente ao ar. O público presente nos shows começa a se diferenciar e é possível encontrar gente que até Deus duvida nesses lugares. Uma grande prova recente foi o show do Conde (Banda Só Brega) no Quintal do Lima. Uma noite de casa cheia com uma gama infinita de pessoas que não aparentavam de forma alguma gostar do que iria tocar por ali.
O show foi estonteante. Tanga de Sereia deu boas-vindas ao público deixando em seguida o Conde dar seu megashow seguido por Victor Camarote e Banda Arquibancada. Com quase duas horas de show, o Conde dançou, cantou, abraçou, beijou e posou embalado pelo delírio dos fãs que nem eram fãs, mas que se tornaram naquela noite. Desde então, esperamos ansiosos que não só o Quintal do Lima, mas outros bares da cidade abram suas portas para o brega e deixem-nos entrar.
Fotos e texto por Tati Balboa
A alma do brega para quem tem coração
Publicado Junho 5, 2008 Brega Raiz , Moda, comportamento 2 Comentários
Critiquem o modismo, a possível pobreza melódica, uma certa falta de classe e o provável desprovimento de virtuosismo. O brega, contudo, nunca teve pretensão de ser chique – e tal é seu charme. Dos rasgados, das baladas de seresta aos sensuais e apelativos hits-chiclete, brega é para fechar os olhos, requebrar as cadeiras ou simplesmente sorrir.
É ele que embala as saudosas lembranças do amor que se foi, da traição eternizada, da paixão reprimida e do choro sufocado. Tão dramático quanto os corações enamorados, as juras de amor e os olhares úmidos, o brega é estiloso, atrevido, cretino na medida certa, maroto e esperto. Não é um ritmo definido, é essência, que pode estar na modinha lenta, nos acordes modernos e nos chacoalhos do calypso.
Se a origem do “estilo” remete aos malditos da música, ao lixo do cinema, aos marginais da moda, aos campeões do mau gosto, hoje lembra nostalgia, emoção, bom humor e diversão. Rostinho colado, pulinhos com graça ou apenas mão no peito e dedos para cima…o bregoso é uma das provas de que a música transcende.
Cafonice, cores, bolas e listras…amores, perdões, amadores e artistas…o brega tem alma, espírito, emoção…os chiques que me perdoem, mas é só dele o coração!
Por Renata Sá Carneiro
Como não diria a Marie Claire, brega é ser inteligente. E uma prova disso é essa sandalinha fenômeno de vendas, que apareceu discretamente, como quem não quer nada, nas lojinhas populares há cerca de 5 meses atrás. Primeiro, o pisante ahazou nos pés das semi-idosas e evangélicas. No entanto, depois que as cafuçuas(ou rariús) descobriram as cores incríveis (rosa-choque, azul royal, verde bandeira, amarelo ouro, prata, dourada, branca, preta, vermelha, lilás, etc, etc, etc) não se fizeram de rogadas e começaram a usar a bendita em todos os rala-bucho e churrascos na laje. Espertíssimas, as garotas, pois a exclusiva sandália Vizzati by Carolina Ramos custa de R$14 a R$20 e é a mais criativa das Melissas genéricas. Imita um calçado com couro amassado e entrelaçado, e, feita de plástico, esbanja praticidade. É fácil de lavar – se você acaba de ser chamada para um show do Calcinha Preta que acontecerá daqui 15 minutos, e PRECISA usar sua Vizzati berinjela, pode deixá-la como nova só passando um paninho. Dá até tempo pra fazer a chapinha sem preocupações!
O mais bacana é que esse calçado tornou-se o mais democrático dos últimos tempos. Se, há meses atrás, era visto só na periferia, hoje já brilha nos pezinhos das alternas da Augusta e das patricinhas da Oscar Freire. Esses dias, eu o vi em uma vitrine dessa mesma rua, e fiquei passada! Todo mundo aderiu, porque o bichinho é mesmo versátil! E dá pra dançar horrores com ele, só não é tão confortável quanto as botas da Joelma! Total must-have!
PS: Eu, como não sou trouxa nem nada, já tenho nas cores pink e dourado, e arraso com eles desde o fim de 2007
O brega virou cult?
Publicado Maio 31, 2008 Antrolas na vitrola , Brega Raiz , Hi-Hi-Hy , Lixo é luxo , Moda, comportamento , É Show! Deixar um Comentário Ser brega não é mais tão brega assim!
De uns anos pra cá, alguém decidiu que gostar de música brega é ser cult, moderno, antenado. As figuras mais bizarras da Discoteca do Chacrinha (é o novooooo!) viraram outsiders e, finalmente, ganharam o merecido reconhecimento. Intelectuais e críticos de música passaram a tratar o brega dos anos 70 como coisa séria. Para alguns era um plano B da Tropicália, para outros um esquisito proto-punk ou ainda um antídoto ao suposto elitismo da MPB. Controvérsias à parte, o fato é que hoje não existe festa descolada sem aquela seqüência de músicas brega. A pista de dança vai a loucura quando toca Odair José, Waldick Soriano ou Carlos Alexandre. Tal fenômeno antropológico poderá ser observado amanhã no projeto Farra na Casa Alheia, no Buoni Amici’s. O lendário cantor brega Genival Santos se apresenta na festa, com toda aquela sua pinta de vocalista dos Strokes… rsrsrs.
Quem é Genival Santos?
Genival Santos tem 64 anos, nasceu em Campina Grande (PB), mas foi para o Rio de Janeiro ainda criança. Foi sapateiro, servente de pedreiro e ajudante de caminhoneiro até que, em 73, participou do programa de Flávio Cavalcanti em rede nacional e, enfim, assumiu a carreira na música brega. São 35 anos de carreira, 28 discos gravados, 5 milhões de cópias vendidas e hits como: Eu te peguei no fraga, Se errar outra vez e Eu não sou brinquedo.
O brega de hoje é o cult de amanhã
Símbolo do conformismo popular dos tempos da ditadura, o brega dos anos 70 agora é visto como se fosse um ritmo transgressor e vanguardista. É difícil de explicar como essas coisas acontecem. Talvez, o gênero tenha sido beneficiado pelo confuso revival dos anos 70 e 80, que mistura alhos com bugalhos. Tipo: coloca Menudos e Smiths numa mesma panela, como se fossem similares só porque são contemporâneos. Esquisito né?! No entanto, isso nos dá subsídios para fazer uma previsão futurológica. Anote: daqui a 20 anos, as festinhas vão bombar ao som de: É o Tchan, Zezé de Camargo e Kelly Key. E todo mundo vai se emocionar e achar ótimo! Ahahah.
O Underground também quer ser Brega
A onda do brega-cult também invadiu o cenário do rock independente brasileiro. No início de 2006, um selo goiano lançou a coletânea Vou tirar você desse lugar, com regravações de sucessos de Odair José. São 18 faixas divididas entre Mombojó, Jumbo Elektro, Mundo Livre S/A, Poléxia, Terminal Guadalupe etc. Muito Cult!
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